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Conta corrente e balanço de pagamentos (out/21)

25/11/2021

Bottom line: A conta corrente registrou déficit de US$ 4,5bi em outubro, resultado levemente superior à mediana das expectativas de mercado. No acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente alcançou US$ 26,7bi (1,7% do PIB), nisso incluindo revisões da série histórica que aumentaram o déficit acumulado nos últimos 12 meses. As fontes de financiamento não foram suficientes para cobrir o déficit mensal, levando a uma pequena redução das reservas internacionais no mês. Incorporando novas informações históricas e ajustando as nossas premissas, esperamos déficit em conta corrente de US$ 26,2bi (1,4% do PIB) em 2021, com uma acumulação de reservas da ordem de US$ 13,0bi.

 
A conta corrente registrou déficit de US$ 4,5bi em outubro, resultado levemente superior à mediana das expectativas de mercado (déficit de US$ 4,8bi). O resultado mensal foi marcado por redução do superávit comercial para US$ 1,3bi, contraposto a saídas mais robustas de capital nas principais rubricas da conta corrente, tendo como destaque as remessas de lucros e dividendos. No acumulado em 12 meses, o déficit em conta corrente atingiu US$ 26,7bi (1,7% do PIB), acelerando frente ao déficit de US$ 23,4bi (1,5% do PIB) acumulado nos 12 meses encerrados em setembro (tabela 1). 
É importante lembrar que esta leitura mensal foi marcada por revisão ordinária das estatísticas do setor externo, incorporando resultados definitivos para as pesquisas de 2020 e novas parciais para o desempenho em 2021. Em 2020, o déficit acumulado passou de US$ 25,9bi (1,8% do PIB) para US$ 24,5bi (1,7% do PIB), com pequena revisão derivada de aumento das entradas líquidas em rendas de investimento. Já nos 12 meses acumulados até setembro de 2021, o déficit expandiu de US$ 20,7bi (1,3% do PIB) para US$ 23,4bi (1,6% do PIB), com redução líquida da renda primária refletindo aumento das remessas de lucros e dividendos.
Para além das pequenas revisões estatísticas, ressaltamos que continua desafiador conciliar os resultados das balanças comerciais nos conceitos SISCOMEX e BCB. Em outubro, a diferença foi bastante inferior à observada nos meses recentes, de somente US$ 700mi. Com isso, a diferença acumulada em 2021 atingiu US$ 23,2bi, superior ao ocorrido durante todo o ano passado (gráfico 1).
Avaliando as fontes de financiamento do Balanço de Pagamentos (tabela 2), os principais destaques ocorreram nas captações externas – entrada líquida de US$ 5,3bi, implicando em taxa de rolagem de 166% – e em “Outros fluxos”, com nova entrada líquida de US$ 1,3bi. As outras grandes rubricas do financiamento continuaram com desempenho frustrante, com virtual estabilidade dos investimentos diretos líquidos e entradas de Portfolio de somente US$ 1,3bi, igualmente divididas entre renda fixa e renda variável. 
Lembramos que, respeitando o conceito de partida dobrada, tivemos mudanças no financiamento agregado para acomodar os novos resultados de conta corrente, tanto a menor (em 2020) quanto a maior (nos 12 meses acumulados até setembro de 2021). Não houve absolutamente nenhuma mudança no resultado líquido do balanço de pagamentos, ou seja, nenhuma mudança na acumulação de reservas. Combinando todos os Usos (conta corrente e amortizações) e fontes de financiamento do Balanço de Pagamentos, houve pequena redução dos ativos de reserva em US$ 200mi em outubro, implicando, nos últimos 12 meses, em aumento de US$ 16,8bi nas reservas interncionais (tabela 2).
As pequenas revisões na série histórica, os resultados de outubro e novas premissas para os fundamentos (taxa de câmbio, preços relativos e diferencial de crescimento) do setor externo indicam aumento do déficit de 2021 para US$ 26,2bi (aproximadamente -1,4% do PIB). A atualização dos modelos de financiamento faz com que esperemos um aumento líquido de US$ 13,0bi nas reservas internacionais neste ano. Nossas novas projeções mostram déficit mais elevado do que o esperado pelo Banco Central, ainda que, qualitativamente, contem a mesma história.
 
Tabela 1: Conta corrente (US$bi)
Balanço de pagamentos (conta corrente)
US$bi out/21 ac.12m
Conta corrente -4.5 -26.7
Balança comercial* 1.3 35.7
Pagamento de juros -0.9 -21.3
Viagens -0.3 -1.8
Lucros e dividendos -3.7 -27.3
Fretes -0.5 -3.9
Outros serviços e rendas primárias -0.7 -11.3
Renda secundária 0.3 3.1
Fonte: BCB
Gráfico 1: Balança comercial SISCOMEX (-) balança comercial BCB
Tabela 2: Resultado agregado do balanço de pagamentos (US$bi)
Balanço de pagamentos (Usos e Fontes)
US$bi out/21 ac.12m
Usos -8.2 -75.8
Conta corrente -4.5 -26.7
Amortizações -3.8 -49.1
Recursos 8.0 92.6
Investimento direto líquido 0.1 25.1
Portfolio (carteira) 1.3 39.0
Captações (rolagem) 5.3 60.9
Outros fluxos 1.3 -32.4
Ativos de reserva -0.2 16.8
Fonte: BCB
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