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IPCA-15 (nov/21)

25/11/2021

Bottom line: O IPCA-15 avançou +1,17% em novembro, praticamente alinhado às expectativas de mercado (+1,13%), levando a inflação acumulada em 12 meses a +10,73%. A pequena aceleração da inflação acumulada refletiu pressão nos preços administrados, com suave descompressão dos preços livres – e, em específico, dos serviços. A gestão das expectativas de inflação está prejudicada pela desancoragem em prazos mais longos. Com isso, reafirmamos nosso call de elevação da Selic em 200bps na reunião de dezembro, levando-a a 9,75%a.a. ao fim de 2021, e ciclo contínuo de elevação dos juros até 12,50%a.a. em maio de 2022. Com esse orçamento de juros, levamos a inflação à meta de 2023.

O IPCA-15 avançou 1,17% em novembro, praticamente alinhado às expectativas de mercado (1,13%), levando a inflação acumulada em 12 meses a 10,73% (gráfico 1). A pequena aceleração adicional da inflação acumulada em 12 meses reflete pressões nos preços administrados, sobretudo em combustíveis, com preços livres mostrando suave declínio da inflação acumulada – resultado da descompressão da inflação de alimentos, mais que compensando a pressão ainda observada em bens e serviços (gráfico 2). Sob outro corte, a inflação acumulada nos bens tradables parece ter ultrapassado seu pico, confirmando a tendência à moderação observada na leitura de outubro. Mais ainda, a inflação acumulada em 12 meses de bens non-tradables e de serviços também parece estar perdendo ímpeto (gráfico 3), sugerindo que, enfim, a inflação em 12 meses começará a desacelerar. 
Revertendo o observado em outubro, a inflação mensal de serviços recuou de forma importante durante novembro, voltando à faixa histórica e sendo levemente inferior à observada em novembro do ano passado (gráfico 4). Parte relevante dessa devolução ocorreu nas passagens áreas (deflação de -6,34% em novembro, depois de expansões de +34,6% em outubro e de +28,7% em setembro), mas, mesmo se as excluímos, fica mantido o resultado de descompressão da inflação mensal de serviços (gráfico 5). Ao que parece, a erosão da renda disponível começa a afetar a demanda, desenhando um cenário de menor pressão nos preços. Ressalta-se, no entanto, que o fenômeno inflacionário continua bastante robusto, como atesta o comportamento dos núcleos de inflação, cuja média permanece em elevação no acumulado em 12 meses (gráfico 6).
O resultado do IPCA-15 de novembro sugere que o pico inflacionário está próximo, marcando o início de uma lenta descompressão da inflação acumulada que se estenderá durante todo o próximo ano. Não se pode perder de vista que a inflação acumulada deve voltar a acelerar no primeiro trimestre de 2022, puxada pelos preços de energia elétrica residencial. A gestão de expectativas continua muito delicada, com evidências de desancoragem em prazos mais longos. Isto posto, reafirmamos nosso call de elevação da Selic em 200bps na reunião de dezembro, levando-a a 9,75%a.a. ao fim de 2021, e ciclo contínuo de elevação dos juros até 12,50%a.a. na reunião de maio de 2022. Somente com esse orçamento de juros, conseguimos, em nossos modelos, levar a inflação de 2023 à meta de 3,25%.
Gráfico 1: Componentes do IPCA-15 (headline, administrados e preços livres)
Gráfico 2: Aberturas dos preços livres
Gráfico 3: Tradables, non-tradables e serviços
Gráfico 4: Inflação de serviços (mensal)
 
Gráfico 5: Inflação de serviços ex-passagens aéreas (mensal)
 
 
Gráfico 6: Headline vs. média dos núcleos
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